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O que vemos no mercado agora com a famigerada crise sub-prime é o chamado desespero. Um pensamento do tipo: vou vender antes que caia mais. E não dá para culpar pois ver a carteira -9% -15% o cara torra tudo mesmo.

Quem trabalha com stops estava mais sossegado, contudo também deve ter levado uns sustos, pois quando o mercado abre em gap, “asta la vista stop”.

Mas então, o que fazer?

Há algumas operações que podemos fazer quando o mercado está em tendência de baixa. Não são as melhores operações que um iniciante pode fazer, já que operar em mercado em baixa é mais difícil que no de alta. Eu já havia escrito sobre como proceder quando a bolsa cai, mas foi mais filosófico que técnico, então aqui vão as 3 formas de operar na venda:

1 – Operar na venda

Você precisará alugar ações. Para isso você pode tanto escolher o contrato que irá assumir dando uma olhada no banco de títulos (peça para seu corretor), como simplesmente dar a ordem de venda e no final do pregão o sistema automaticamente cobrirá a sua venda alugando ações.

A última tática não é a melhor pois a taxa cobrada é chamada de empréstimo compulsório e segue tabela própria de remuneração:

Set/07 – 3,37% a.a.
Out/07 – 4,33% a.a.
Nov/07 – 4,27% a.a.
Dez/07 – 6,29% a.a.

Ou seja, caso você hoje (janeiro/2008) simplesmente vendesse VALE5 e deixasse a própria CBLC fazer um contrato compulsório você pagaria 6,29% ao ano de aluguel, não é muito se pensar que isso dará algo em torno de 0,5% ao mês, mas vendo a média registrada na CBLC de 0,96% AO ANO, realmente vale mais a pena planejar.

Escolha os ativos com mais liquidez, pois eles é que detém os aluguéis mais baratos.

Quem está cedendo mais ações para aluguel?

Os investidores extrangeiros com 32%, isso se deve ao fato que normalmente eles se posicionam em carteiras e para não deixar os ativos pegando pó nos bancos de dados da CBLC eles se tornam os DOADORES, recebendo uma remuneração por isso.

Em segundo lugar estão as pessoas físicas tupiniquins com 28% e por terceiro Fundos Mútuos.

Quem está alugando e vendendo mais?

São os fundos mútuos em disparado: 56%, o segundo lugar está com os estrangeiros com seus 22%, em terceiro estão os bancos com 17%. As pessoas físicas somente aparecem com 2,48%.

Ou seja, os brasileiros gostam de ganhar o aluguel, mas não gostam de jogar o jogo a favor deles. A cultura de operar na venda ainda não está muito difundida. Agora com projeções pouco favoráveis vão ficar na bolsa aqueles que aprenderem a sambar conforme a música.

2 – Operar fazendo travas de baixa com opções

A trava de baixa é uma operação que no momento que você a faz já sabe quanto ganhou e dali para frente não vai ganhar nenhum centavo a mais, somente a menos caso o movimento da ação se reverta.

Veja os pontos de entrada no mercado quando se quer operar na venda. Vamos usar a vale como exemplo. Veja os pontos circulados em azul, eles são os pontos de entrada pois a vale tinha desenhado suas resistências e os preços se aproximaram dali e não as romperam.

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No primeiro círculo azul lá próximo aos 56, você poderia:

Vender VALEL56 e comprar VALEL58. A diferença da operação era seu lucro. Ponto!

Vender VALEL54 e comprar VALEL56. A diferença seria maior, mas o risco também seria.

A estratégia é vender para NÃO ser exercido, com o gráfico da época eu faria a primeira operação. Esta operação chama margem de garantia já que você está vendendo um direito e comprando outro mais caro para dar de garantia. O máximo de garantia que será chamado é R$2 por opção vendida já que a diferença entre a obrigação contraida e a garantia dada é de R$2, contudo somente no caso onde seu prejuizo já esteja em R$2 é que a margem será daquele valor. Isso iria acontecer caso a vale subisse acima de R$56 (no caso do primeiro exemplo).

3 – Vender contrato futuro na BM&F

Você pode operar nos ativos financeiros: Dolar, ouro, Indice bovespa. São os mesmos pontos de entrada exemplificados na Vale só que feitos no gráfico do IBOV, é claro.

Os mini-contratos tem seu código WIN, as letras dos meses de vencimento são:

F – Janeiro
G – Fevereiro
H – Março
J – Abril
K – Maio
M – Junho
N – Julho
O – Agosto
U – Setembro
V – Outubro
X – Novembro
Z – Dezembro

Os dois digitos seguintes são o ano: WINZ07 é o mini-contrato para dezembro de 2007, WINF08 é o próximo vencimento em fevereiro, and so on.

Quando você vende um contrato futuro você espera que a bolsa caia, pois assim enquanto estiver caindo vai entrando dinheiro em sua conta. Quando você compra um contrato futuro enquanto a bolsa sobe vai entrando dinheiro. Isto é chamado de ajuste e é feito a cada fechamento do pregão da BM&F, diferente da bovespa que o lucro ou o prejuizo é realizado quando você desfaz a operação.

Cada contrato tem um valor financeiro sobre o qual é calculada uma margem de depósito que é de R$1460 inicial para cada contrato vendido/comprado. Inicial, pois esse valor vai se alterando conforme a calma ou nervosismo do mercado e é calculado por um sistema capetoso e que se você tiver paciência de entender está explicado aqui, chama-se sistema de risco.

Para calcular o valor do contrato

A fórmula é simples:

Número de Contratos x Cotação fechada x 0,20 = R$ do contrato.

Ou seja, vender 1 mini-contrato para 55000 pontos dará um valor financeiro de: R$11000. Levando em consideração que a margem inicial é de R$1460 então você irá empregar cerca de 7% do valor contratual como margem a princípio.

Digamos que a bolsa feche a 54500 no dia que você vendeu a 55000. O ajuste diário é calculado pela formula:

(Pontos anteriores – Pontos Atuais) * 0,20 * contratos

* os R$0,20 são para os mini-contratos do ibovespa, para outros contratos é outro valor.

No nosso exemplo:

(55000 – 54500) * 0,20 * 1 = R$100.

Neste dia entrarão R$100 na sua conta. O IBOV no exemplo variou -0,9% e você ganhou 0,9% (R$100) sobre o valor financeiro do contrato (R$11000). Está começando a entender que se você tiver uma carteira de ativos no valor de R$11 mil você teria protegido ela da queda? Hedge meu caro, hedge…

Mas aqui o exemplo não é para fazer hedge, é uma operação visando o lucro sobre uma operação de compra/venda em bolsa. Neste caso, você pode usar o seguinte raciocínio: gastei R$1460 para ganhar R$100, ou 6,8% bruto.

Sobre as operações ainda tem a corretagem e emulmentos da BM&F, assim como na bovespa. A corretagem é a mesma que você paga quando compra ativos na Bovespa e os emulmentos dependem de cada contrato. No caso do mini-contrato é 0,25% mais um valor fixo divulgado pela BM&F.

4 – Vender opções a descoberto

Esta não é a melhor operação para iniciantes, mas é uma solução. Fiz um post exclusivo para tratar desta operação veja o exemplo dessa operação.

5 – Ficar fora do mercado

Esta é uma opção extremamente válida para aqueles que não tem tempo de aprender o funcionamento dos mercados e daqueles traders novos. Parece complicado, mas no operacional é mamão com açucar, o difícil mesmo é o controle emocional para ver o que o gráfico esta mostrando e não o que você quer que aconteça. Aprenda a analisar gráficos e estratégias. Isso é o mais importante! Com isso você pode fazer qualquer operação! Não vá perder o seu dinheiro pulando de cabeça em lagoa rasa. Aprenda!

Perigo dos mercados

Quando vamos fazer alguma atividade que embute risco como escalada em rocha, mergulho, voo livre, etc. O que fazemos primeiro? Um curso é claro! E por que diabos você compraria uma asa delta de última geração, montaria ela pelo manual e pularia de um morro só por que leu como voar em um blog? Pois é, isso é o que todo mundo faz com a bolsa. A única coisa é que quem entra em óbito é seu bolso e não você…