Últimamente temos tido alguns sustos com a bolsa de valores. Mas esses sustos acontecem sistematicamente e teimamos em achar que o fim do mundo está próximo.
Vamos ver em números o que cada crise ou melhor dizendo: espirro do mercado financeiro fazia com a bolsa, quanto tempo durou e em quanto tempo recuperou. tenho dados da bovespa desde 1993 quando eu ainda nem sequer pensava em bolsa de valores. Para falar a verdade nessa época eu estava mais preocupado com espinhas, como conquistar as garotas e como gastar os meus primeios salários de meu primeiro emprego aos 14 anos de idade. Nesta época meus pensamentos eram populados pela vontade de ter logo 18 anos para poder tirar minha carteira de motorista, mas isso é outra história, vamos as bolsas.
Quantas vezes a bolsa caiu tanto?
Como disse tenho dados dos ativos da bovespa desde 1993. A década de 90 foi turbulenta na bolsa brasileira, incerteza na economia, inflação, planos malfadados, troca de moeda, foi fogo mesmo. Neste período de 93 até hoje, a bolsa registrou quedas superiores a 6% em um mesmo dia 51 vezes. Isso mesmo! O que dá uma média de 3,6 vezes por ano. É claro que o maior número de desabamentos aconteceu na década de 90. De 2000 para cá somente houveram 5 incêndios.
Quais foram as vezes mais significativas?
Vamos primeiro considerar até onde minha visão alcança, já que:
- antes de 1997 a internet era um extangeiro recém chegado ao Brasil.
- o noticiario pré-1997 é difícil de achar
- meus hormônios de adolescentes não me deixavam interessado em economia, política e bolsa de valores para que eu possa escrever de memória.
- eu era um completo alienado do que acontecia no quintal de casa, imagine do cenários macro-econômicos.
Por esses motivos, somente posso centralizar minhas pesquisas em crises que eu me recorde e naquelas que eu possa encontrar referências no noticiário.
1997
A crise dos tigres asiáticos. As notícias registradas na internet são escassas e não consegui reunir dados o suficiente para esclarecer o que fora a crise de verdade. Se alguém tiver essa informação por favor me deixe o link do material em um comentário.
Nesse cenário turbulento, tivemos no dia 27/10/1997 uma queda de 17,6% em um só dia que não foi a maior que encontrei em um dia, mas foi a maior queda em um mesmo mês. Foi um outubro negro. No final deste mês fatídico em 10 dias tivemos um recuo de 12955 pontos para 8986. Uma queda de mais de 40%, isso sim é crise de respeito.
O mercado por duas vezes se aproximou dos patamares perdidos nesse mês, mas não conseguiram se recuperar, caindo novamente e somente retornando ao patamar que foi perdido em dezembro de 1999.
1998
Segundo as poucas informações que obtive em minhas pesquisas, a crise asiática só terminou em 2000. Neste ano tivemos a maior queda no mesmo dia que tenho em meus registros: 18.73%
2001
O impressionante, estupidificante, alarmante e outros ‘antes’: o 11 de setembro. O interessante é que a bovespa estava em um canal lateral cujo fundo ficava na zona dos 13500 pontos. No dia 17 de outubro do mesmo ano, este suporte foi perdido caindo por alguns dias e fazendo novo fundo na zona dos 12690 pontos. Em 5 de setembro, inclusive esse fundo foi perdido, indicando uma queda até os 11300 pontos.
Dow, já dizia em suas teorias que: os gráficos descontam tudo, menos os atos de deus. Pelo visto o 11 de setembro não foi um ato de Deus, pois o gráfico já dizia que iria cair a tragédia somente acelerou a queda. É claro que com o incremento da incerteza o indice foi mais para baixo. No dia do atentado registrou-se uma queda de 10,21% e o índice continuou caindo até o fundo do poço em 10034 pontos, somando um total de 18% de queda pós-atentado. Nada comparado aos 40% registrados quatro anos antes.
A bolsa demorou um mês e quinze dias para se recuperar. Quatro meses depois do atentado, em janeiro de 2002, já havia retomado um patamar 32% acima do início da ladeira.
2002
TPL, tensão pré-Lula. O temor do governo Lula mudar os rumos da economia brasileira fez a núvem da incerteza pairar sobre a bolsa de valores, se não bastasse isso, ocorreu o apagão que afetou a produção nacional e consequentemente gerando mais incerteza sobre os lucros das industrias e empresas de um modo geral.
Não tivemos quedas bruscas mas a maior parte do ano a bolsa esteve em tendência de baixa. Movimento esse que começou em março aos 14500 pontos e suavemente, mes após més, como um avião de papel pousou nos 8350. Uma queda em 8 meses de 57%, cerca de 19% ao mês.
A bolsa somente começou a se recuperar, quando na campanha do Lula foi assumido publicamente o compromisso de manter a política econômica. Isso fez com que em outubro, com o apagão controlado, começa um movimento de alta que em junho de 2003 fez a bolsa recuperar toda a queda de 57% e em dezembro do mesmo ano a já batia mês a mês seus patamares históricos. Chegando aos 22500 pontos, 55% acima do patamar antes do TPL.
2004
Tivemos uma queda de 6.53% no da 29 de janeiro, quase igual a queda de 2002, mas sem muita repercusão nos noticiários. Acho que não conseguiram achar algum bode espiatório para pagar a conta desta vez.
Nesta queda começamos com o índice a 22386 recuando até 21096 cinco dias depois e recuperando o patamar de 23197 quatro dias depois, mas sem conseguir se sustentar o índice começou a cair e entrar em movimento de baixa. Chegando alguns meses depois aos 19000 pontos. Em agosto do mesmo ano reinicia-se o movimento de alta terminando nos 26196 pontos ao final de dezembro. Uma alta de 17% acima do início da queda.
2007
Em fevereiro tivemos mais um espirro dos tigres asiáticos, a China em específico. O Governo de lá tomou algumas atitudes para frear um pouco a economia o que foi interpretado pelo mercado como um motivo de preocupação. Na verdade todos os ativos ao redor do mundo estavam supervalorizados e os investidores precisavam de algum motivo para realizar seus bons lucros.
A bovespa somente demorou 2 meses para absorver a “crise” anunciada tanto pelo governo chinês quanto pelo Fed, o banco central dos EUA. Em 5 de abril a bolsa recuperava o patamar antes perdido e em menos de um mês já estáva rumando aos 50000 pontos.
Agora temos a famigerada crise do sub-prime americano. Com várias empresas que pegaram emprestado dinheiro no Japão a juros baixíssimos, emprestaram aos caloteiros do sub-prime e agora não tem como pagar a conta. Como sempre o mercado irá se adaptar as crises retomando os patamares perdidos. Novamente essa crise é só um estopim que fez os preços cairem mais rápido, pois a tempos os gráficos indicavam correções mais fortes.
Vamos acompanhar as cenas dos próximos capítulos.

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