No silêncio da madrugada, onde estão descansando: mercados, minha esposa e meu filho, eu gosto de repassar alguns gráficos importantes, como IBOV, DOW, PETR4 e VALE5, afinal, com a queda acentuada de hoje, é necessário armar algumas travas para proteger minhas posições e, após os estrondos iniciais, sempre se pode achar boas oportunidades de negócios.
Mas não é disto que quero falar agora. Eu ao entrar no ADVFN encontrei nas notícias deles o anúncio que a CVM regulamentou o uso do FGTS para investimentos em obras de infra-estrutura.
Essa notícia veio oportunamente após o post do editor do comocomprarmeias sobre a alegria dos trabalhadores que trocaram FGTS por VALE5.
Na verdade, o texto mostra que o governo procura mais uma fonte barata de dinheiro para obras emergenciais e necessárias de infra-estrutura (sim as mesmas emergências que já criaram varias siglas como CPMF, CIDE, etc.).
Já que para estes fins tem como regulamentar o uso destes recursos, porque não permitir ao trabalhador que o use de forma plena.
Porque não permitir que todo trabalhador tenha um CI-FGTS e que com os recursos lá alocados ele possa investir em fundos de renda fixa, renda variável, títulos públicos, compra e venda de ativos e derivativos em bolsas de valores?
Mas vamos respeitar as regras do jogo. Nada de botar a mão no dinheiro do FGTS. Somente poderia investir com ele, e o resultado deste investimento ficaria novamente depositado no FGTS, disponível para saque sob as mesmas regras que todos já conhecem.
É muito mais produtivo permitir que este dinheiro, direito do trabalhador, dever do empregador, mamata para governo, possa ser aquele primeiro passo que todos precisam para começar a investir, afinal é um dinheiro certo, que de forma obrigada o trabalhador aprende a guardar.
Eu sei que para a enorme maioria dos trabalhadores, as aplicações em renda variável fazem parte de um futuro ainda distante, principalmente por falta de cultura e de coragem, mas tudo inicia com um primeiro passo.
Não quero que pessoas simples sejam lançadas nos mercados como cristãos aos leões na Roma antiga. Nem que só façam uso de pseudo-investimentos. Eu quero que elas possam ter o direito de melhor administrar o que é delas por direito, e o mais importante, tendo a chance de aprenderem a administrar o seu dinheiro, sem a afobação de torrar o primeiro lucro, ou beber o primeiro prejuízo.
Eles podem aliar o útil, ao prático, ao agradável: comprem títulos do governo com o FGTS. Seria um maravilhoso começo. Renda fixa, segura, com a benesse dos juros mais altos do planeta, e de quebra, temos de admitir, um novo impulso à máquina estatal.
Se existe como isto ser feito para financiar o governo, deve haver como faze-lo para o benefício do trabalhador.
Não vale à pena comentar isto com o seu senador?

Del.icio.us



