Para quem opera a algum tempo no mercado de derivativos já deve ter descobrido estes fatores na prática. Você que ainda está começando já iniciará com um passo a frente, impedindo assim você faça algumas bobagens de iniciante.
- Preço do ativo base
- Preço de exercício
- O tempo
- Taxa de Juros – CDI
- Volatilidade
- Dividendos
Preço do Ativo Base (spot)
Quando os preços dos ativos sobem o preço das opções também. Isso é a primeira coisa que você percebe. O preço da opção tem uma relação diretamente proporcional ao preço do ativo. Dentre as variáveis é a de maior relevância, pois afinal o preço de uma opção é a diferença entre o preço do ativo, o preço de exercício acrescidos de um ágio.
Preço de exercício (strike)
É o preço pelo qual o contrato foi firmado. Ao comprar laranjas do produtor eu assino um contrato de que ele irá me entregar 200 sacas de laranja a R$10 a saca. Ou seja, o preço de exercício deste contrato futuro é R$10.
No caso das opções quanto menor for o preço de exercício maior será o preço da opção. Então podemos dizer que o preço de exercício tem uma relação inversamente proporcional ao preço do ativo base.
Digamos que a Vale esteja R$50. A VALEA60 terá o preço muito menor do que a VALEA40 por exemplo.
Tempo
É aqui que a porca torce o rabo e muitos iniciantes perdem dinheiro. Pois ao entrar no mercado de opções sabemos que elas tem um tempo de vida, mas desconhecemos o poder corrosivo do tempo no preço de uma opção e só vamos sacar isso em nossas primeiras perdas.
Uma opção que hoje está R$3 daqui a 10 dias estará valendo bem menos que isso, mantidas as outras variáveis é claro.
O fator tempo contribui e muito para os preços. Quanto mais próximo do vencimento, menos ágio as pessoas colocarão junto ao preço da opção já que quanto menor for a quantidade de dias maior será a certeza do investidor do preço base do ativo.
Taxa de juros – CDI
Eu não saberia explicar exatamente a influencia dos juros no preço das opções, para mim bastou entender que quanto maior a taxa de juros maior é o preço das opções. Contudo devo resaltar que quanto maior é a taxa de juros menor é o fluxo de dinheiro nas bolsas, logo o preço do ativo tende a cair o que reflete negativamente no preço das opções.
Este é o grande ponto de discussão entre os teóricos. Mas o fato é que hoje a taxa de juros no Brasil é estável, logo, de pouca influência na precificação das opções.
Volatilidade
É a tentativa matemática de medir a incerteza do mercado. Quão maior ela for, mais rápido é o movimento de preços das opções. Para cima ou para baixo.
A volatilidade é sempre anualizada e mostrada em um valor percentual que gira em torno dos 20% a 40%. Em cenários de eufiria ou pânico a volatilidade sofre mudanças bruscas e foje dessa linha de calmaria e certeza.
Dividendos
Você já deve ter visto que assim que há a distribuição de dividendos o preço de exercício da opção sofre correção tirando-se dele o valor dos dividendos. Por exemplo digamos que a Petrobrás vá distribuir R$2 em dividendos a PETRA80 agora passará a ter strike de R$78 e não mais R$80.
Se o strike diminuiu a opção fica mais cara, lembra? Quanto menor é o strike maior é o preço da opção, contudo, a ação objeto também sofre desvalorização já que ao tirar X milhões do caixa para distribuir entre os acionistas o patrimônio da empresa diminuiu X milhões o que faz o preço do ativo base cair também. Isso acontece porque cada ação é a representação fracionada do patrimônio da empresa.
Então é trocar seis por meia dúzia, pois se o preço do ativo cai o preço da opção também e se o strike cai o preço da opção sobe. No final um fator anula o outro. Os dividendos ficaram na realidade na mão de quem detém a opção, não diretamente, pois os dividendos serão depositados na conta de quem tem a ação, mas indiretamente eles ficarão na mão de quem detém o direito sobre a compra. Mas não se importe com isso pois é filosofia de café da bolsa. Não enrole sua cabeça tentando entender isso agora.
As gregas
Delta, Gama, Theta, Vega e Ro. São os nomes que ganham a tentativa matemática de equacionar as variáveis acima.
O Delta nos diz o quanto uma opção irá valorizar a cada R$1 que o ativo suba. Exemplo: a PETRA80 está com delta 0,5 ( ou 50% ou 50) a PETR4 subindo R$1 faz com que a PETRA80 suba R$0,50.
O Gama é a curva do delta, ou seja, o quanto o delta irá se valorizar/desvalorizar a medida que o ativo for subindo R$1. Pois a cada R$1 que o ativo sobe o delta é diferente.
O Theta nos diz o quanto uma opção irá desvalorizar a cada dia que passa. Este valor se modifica dia a dia pois depende de alguns fatores. Digamos que o theta seja -0,04, isso indica que a cada dia que passe a opção perderá R$0,04 caso nenhuma das outras variáveis se altere.
O Vega nos diz qual será o impacto a cada 1% de mudança na volatilidade do ativo base. Por exemplo se o vega é 0,16 (16% ou simplesmente 16) indica que a cada 1% de mudança da volatilidade a opção irá perder/ganhar R$0,16.
O Ro diz a mudança de preço no caso de mudança na taxa de juros, mas como agora a nossa é estável, nem precisamos nos aprofundar muito aqui, afinal ela segue a mesma teoria das outras.
Nos próximos posts, irei explicar as “simples” equações para calcular volatilidade, desvio padrão e outras coisas. Se você é como eu que gosta de saber COMO as coisas funcionam eu peço um pouquinho de paciência.


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